Sobre a Autora


Heloiza Rodrigues
BIÓLOGA COM MESTRADO EM FISIOLOGIA E BIOQUÍMICA DE PLANTAS | USP
Com 25 anos de experiência, a paisagista alia seus conhecimentos científicos ao know how adquirido em consultorias de manutenções de jardins, possibilitando

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VOCÊ comete estes ERROS ao ESPECIFICAR a VEGETAÇÃO nos PROJETOS de PAISAGISMO?


kayzuka

Já falei em um post anterior sobre os Cuidados na especificação da vegetação nos projetos de paisagismo e neste post quero falar sobre um assunto que é complementar ao anterior. Se você ainda não leu o post anterior, recomendo fortemente que você o leia antes deste.

Quando não se tem determinados cuidados ao se especificar a vegetação em um projeto de paisagismo temos a impossibilidade de ter-se o resultado desejado, tanto estética como funcionalmente.

Isto acontece por vários fatores, mas eu quero aqui falar especificamente de dois que acho que são os que mais ocorrem e que fazem com que muitos projetos não surtam o resultado esperado.

Para prevenir estes resultados indesejados, é necessário conhecer a espécie que se está especificando e saber se ela é realmente a mais indicada para a função que se pretende para ela.

Também é necessário conhecer se aquela espécie, mesmo sendo indicada para o propósito do projeto, irá se desenvolver adequadamente naquele local e naquele clima, sendo então, estes, um terceiro e um quarto fator que faz com que o resultado do projeto seja aquém do esperado – se a espécie é recomendada para a função que se deseja e se ela é adequada para o clima do local.

O SEGUNDO FATOR de FUNDAMENTAL IMPORTÂNCIA para que uma determinada espécie escolhida para um projeto de paisagismo possa ter o resultado esperado é o ESPAÇAMENTO que deve ser deixado entre as plantas no PLANTIO. Para se saber qual o espaçamento que deve ser respeitado para uma determinada espécie, espaçamento este que será levado em conta para calcular a quantidade de plantas em uma determinada área, é imprescindível que se saiba qual será o tamanho da planta quando ela for adulta.

Quero dar dois exemplos de plantas que comumente encontramos sendo utilizadas sem que seja respeitado o espaçamento para seu crescimento e que a meu ver, demonstra que quem especificou ou plantou aquelas espécies não sabia o que estava fazendo.

O primeiro exemplo é o Juniperus chinensis “torulosa”, conhecido popularmente por Kaysuka. Esta conífera, como o próprio nome da variedade já diz é “torto” e esta é uma característica da planta que deve ser respeitada. Se o desejo é de se ter uma conífera com um formato mais reto, então não é esta a espécie que deve ser utilizada. Então ao se escolher o kaysuka, deve-se ter em mente o espaço que ela precisará ter quando adulta e o plantio deverá ser feito de forma que tenha este espaço, caso contrário o resultado será uma planta torta ou podada, o que vale a dizer uma planta deformada.

EXEMPLO NEGATIVO: kayzukas podados!

EXEMPLO NEGATIVO: kayzukas deformados por podas e sem o espaçamento necessário de plantio!
Kayzukas em sua forma natural.
Kayzukas com o espaçamento necessário de plantio e sem podas!

Também os Podocarpus lambertii são comuns de serem encontrados sendo utilizados de forma incorreta, como plantas para cerca viva. Esta espécie, que chega a ter de 3 a 6 metros de diâmetro de copa, jamais pode ser plantada com um espaçamento de menos de 30 centímetros, como se pode encontrar facilmente pela cidade. Para cercas vivas muitas outras plantas são indicadas, mas nunca o podocarpus. Usado como cerca viva, perde-se toda a sua beleza e com um espaçamento tão pequeno, há uma competição enorme das plantas pelos nutrientes o que tem como resultado que elas nem se desenvolvem como uma planta normal, nem como cerca viva, por falta de nutrientes.

EXEMPLO NEGATIVO: Podocarpus plantados sem a distância necessária.
EXEMPLO NEGATIVO: Podocarpus utilizados como cerca viva e sem o espaçamento necessário para o seu desenvolvimento.
Podocarpus com crescimento natural
Podocarpus plantados com espaço para se desenvolverem!

O PRIMEIRO FATOR,  que faz com que tenhamos tantos jardins com resultados estéticos completamente fora do esperado, é algo realmente básico: A FORMA DE CRESCIMENTO DAS ESPÉCIES. Para explicar vou utilizar uma espécie que tenho visto com certa frequência sendo utilizada como cerca viva, o Plumbago capensis, conhecido popularmente como bela-emília. Este arbusto tem um crescimento que chamamos de escandente, o que quer dizer que seus galhos crescem e caem sobre si mesmo e as suas flores, em cachos azuis ou brancos aparecem sobre estes galhos escandentes. Ao se podar os galhos do plumbago para ele se comportar como uma cerca viva tira-se toda a possibilidade dele florescer e ainda tem-se uma planta sem folhas, já que elas também brotam nos galhos escandentes. Então, se o que se deseja é uma cerca viva, não será o plumbago a espécie indicada. Lembrar também que ao se especificar um plumbago, deve-se pensar no tamanho que ele terá quando adulta e deixar espaço para que ele possa crescer e ter os seus galhos caídos sobre si mesmo. No caso do plumbago, ele pode receber podas, mas sempre respeitando a sua forma de crescimento e a sua época de floração.

EXEMPLO NEGATIVO: Plumbago utilizado em cerca viva.
EXEMPLO NEGATIVO: Plumbago utilizado como cerca viva.
Plumbago com crescimento natural
Plumbago com crescimento natural.
Assim como estas espécies que citei acima, muitas outras estão sendo especificadas de forma incorreta e isto na grande maioria das vezes é o motivo de se ter um jardim sem a beleza esperada!

duvida


Heloiza Rodrigues - 02/06/2017
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