Sobre a Autora


Heloiza Rodrigues
BIÓLOGA COM MESTRADO EM FISIOLOGIA E BIOQUÍMICA DE PLANTAS | USP
Com 25 anos de experiência, a paisagista alia seus conhecimentos científicos ao know how adquirido em consultorias de manutenções de jardins, possibilitando

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Cuidados na especificação da vegetação nos projetos de paisagismo


Para escolher e especificar a vegetação de um projeto de Paisagismo há a necessidade de se observar algumas questões técnicas de fundamental importância para que o projeto seja bem sucedido e que principalmente não venha a causar prejuízos tanto para o cliente como para o profissional, uma vez que é ele o responsável técnico pela especificação.

Entre estas questões técnicas podemos citar as seguintes:

1 – Conhecer o habitat natural da espécie

Este é o motivo número um a ser considerado quando se especifica a vegetação em um projeto de paisagismo e também é o maior responsável pelo qual as plantas não se desenvolvem adequadamente em um jardim: espécies de clima quente plantadas em locais de clima frio e espécies de clima frio utilizadas em clima quente. Não adianta ir contra a natureza! Isto não dá certo! Como exemplo, podemos citar azaléas (Rododendron simsii) e rododendrons (Rhododendron Thomsonii), que são plantas de clima frio, plantados em locais de clima quente e o escultural pandanus (Pandanus utilis), plantado em locais de clima frio.

Azaléas | Rododendron simsii
Rhododendron Thomsonii
Pandanus utilis
Pandanus utilis

2- JAMAIS especifique uma espécie Exótica Invasora

Se você não quer ser o responsável pela disseminação de mudas e sementes de espécies ornamentais que irão alterar o funcionamento dos ecossistemas nativos, comprometendo de forma preocupante a manutenção das espécies nativas, você não pode utilizar espécies exóticas invasoras em seus projetos.

Quando falamos de espécies exóticas invasoras, não estamos falando do alfeneiro e do pinus apenas. São inúmeras as plantas, muitas delas comuns na arborização urbana inadequada, que fazem parte de nossos jardins e parques públicos, como por exemplo a espatódea (Spathodea nilotica) e o cinamomo (Melia azedarach).

Espatódea | Spathodea nilotica
Melia azedarach
Cinamomo | Melia azedarach

3 – Cuidado com as raízes

Conhecer como funciona o sistema radicular das espécies que você esta especificando é importantíssimo para que você não corra o risco de ter calçadas, muros e paredes comprometidos. Quando se trata de jardins sobre laje, o cuidado deve ser triplicado, pois dependendo da espécie o risco de acabar com a manta de impermeabilização é muito grande e a manta antiraiz não dará conta, principalmente depois de alguns anos, quando o produto responsável pela inibição da perfuração da manta pelas raízes já evaporou e não existe mais. Deve-se se ter cuidado com as raízes das plantas de qualquer tamanho, desde arvoretas, herbáceas e também da grama a ser especificada.

4 – Plantas caducifólias

Em locais de clima frio, a grande maioria das árvores perde suas folhas no inverno. Mas isto não acontece só com as árvores, mas também com arbustos e trepadeiras. Os cuidados com o uso destas plantas vão desde a proximidade de uma calha, que pode vir a entupir e causar danos e prejuízos enormes, como também com o uso destas espécies próximo de piscinas e espelhos d’água. As folhas quando caem na água podem entupir os filtros das bombas e levar a prejuízos também.

Plantas caducifolias
Plantas caducifólias

5 – Cuidado com as Plantas Tóxicas

A lista de plantas ornamentais tóxicas é muito grande. Elas podem causar pequenas irritações, alergias, mas também parada cardíaca e morte. É de fundamental importância que você pergunte ao cliente se há na família alguém que apresente algum tipo de sensibilidade específica para que as plantas causadoras desta sensibilidade sejam evitadas. Por outro lado, algumas plantas, embora sejam muito bonitas, são completamente proibidas em locais públicos e principalmente onde há crianças, como por exemplo, o Nerium Oleander conhecido popularmente por espirradeira.

Nerium oleander
Espirradeira | Nerium oleander

6 – Equiparação hídrica

Em épocas de poucas chuvas, com riscos constantes de racionamento de água, o uso de um sistema de irrigação automatizado para as regas do jardim são cada vez mais frequente, já que com ele é possível regar de forma uniforme todas as plantas e com mais economia, sem desperdício de água. No entanto, quando se utiliza no jardim plantas de necessidades hídricas completamente diferentes a setorização do sistema de irrigação não é suficiente para que as regas sejam feitas de acordo com as necessidades específicas de cada planta. Desta forma, temos plantas que podem estar morrendo por falta de água, enquanto que outras não estão recebendo o que necessitam de água para satisfazerem suas necessidades. Então, utilize grupos de plantas com necessidades hídricas semelhantes e sempre que possível especifique plantas com baixa necessidade hídrica para assim diminuir a quantidade de água necessária nas regas.

Plantas com baixa necessidade hídrica
Plantas com baixa necessidade hídrica.

 Como você pode ver, são realmente muito importantes estas questões técnicas e que com certeza farão toda a diferença no resultado final de seu projeto!

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Heloiza Rodrigues - 02/05/2017
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